Thursday, October 6, 2016

"É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo pensando--'vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele o atingiu'.
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão."
(Rubem Braga, "Homem no mar", 84)

     
       Gostei muito desta crônica. De verdade, gostei de todas as crônicas que lemos. Talvez seja porque eu consigo entender o que o autor quer dizer mais facilmente sem todos os detalhes--fico pensando nos significados demais. Mas nesta leitura, pude ver a imagem que Braga quis criar, e algumas verdades humanas também. Achei bem interessante a discussão que tivemos na aula sobre os temas desta crônica, e eu pensei naquela hora de um tema em resposta à pergunta nos dada pelo professor: porque nós como seres humanos torcemos por outras pessoas nas Olimpíadas que nem são de nosso próprio país?"

       Bem, eu gosto demais de competição atlética. E a minha resposta pessoal a essa pergunta é que eu gosto de ver outras pessoas fazer bem no atletismo, porque para mim somos todos seres humanos, não importa a cor de nossa pele nem sob qual bandeira jogamos. É claro que torço para os Estados Unidos nas competições, mas além disso torço para todos. Nesta crônica, o observador não sabia a menor coisa sobre o homem no mar, mas mesmo assim torcia por ele por ser um irmão. Creio que se nós sentíssemos assim sobre todas as pessoas, o mundo seria um lugar bem melhor para todos.

Também curti do comento feito por um outro aluno, quando ele falou que a responsabilidade que o observador menciona é que a excelência merece ser observada. Eu acrescentaria que também merece ser apreciada. Podemos tirar muita motivação dos esforços de outras pessoas, e também podemos motivar muitos a fazer coisas boas para ajudar a sociedade em si.

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