Thursday, October 27, 2016

"A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
          Ao passo que nós
          O que fazemos
          É macaquear
          A sintaxe lusíada"
(Manuel Bandeira, "Evocação do Recife", p. 187)

       Nossa como gostei deste poema. Servi num lugar no Brasil que tem uma fala única demais: Belo Horizonte em Minas Gerais. No meu pensar, a língua é a coisa mais proeminente que liga uma cultura. Se alguém realmente quer ter uma experiência com uma outra cultura, a primeira coisa a fazer é aprender o idioma. Vim a amar português brasileiro, e mais especificamente português mineiro. Não quer dizer que eles falavam exatamente corretos, pois até um americano sem experiência sabia o que era para falar em termos de gramática "certa", mais dava muito mais cor e personalidade à área por causa daquilo.

       Este poema também trouxe uma certa trunkesa para mim de minha própria infância, que creio ser um dos propósitos mais significativos do poema. Quando pensamos em nossas infâncias, temos a tendência de ter memórias boas, de um período mais simples em nossas vidas. Brincávamos, não tinhamos preocupações nem estresses, éramos mais próximos aos nossos familiares, sempre havia muito tempo nos dias. A vida pode ser muito complicada hoje em dia, pois há prazos de entrega, escola, carreiras, responsabilidade por todo lado, e tempo insuficiente para alcançar. Sim, a vida era bem mais simples, mas ainda assim, toda criança quer ser um adulto. Se elas somente soubessem como é bom ser criança.

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