"A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada"
(Manuel Bandeira, "Evocação do Recife", p. 187)
Nossa como gostei deste poema. Servi num lugar no Brasil que tem uma fala única demais: Belo Horizonte em Minas Gerais. No meu pensar, a língua é a coisa mais proeminente que liga uma cultura. Se alguém realmente quer ter uma experiência com uma outra cultura, a primeira coisa a fazer é aprender o idioma. Vim a amar português brasileiro, e mais especificamente português mineiro. Não quer dizer que eles falavam exatamente corretos, pois até um americano sem experiência sabia o que era para falar em termos de gramática "certa", mais dava muito mais cor e personalidade à área por causa daquilo.
Este poema também trouxe uma certa trunkesa para mim de minha própria infância, que creio ser um dos propósitos mais significativos do poema. Quando pensamos em nossas infâncias, temos a tendência de ter memórias boas, de um período mais simples em nossas vidas. Brincávamos, não tinhamos preocupações nem estresses, éramos mais próximos aos nossos familiares, sempre havia muito tempo nos dias. A vida pode ser muito complicada hoje em dia, pois há prazos de entrega, escola, carreiras, responsabilidade por todo lado, e tempo insuficiente para alcançar. Sim, a vida era bem mais simples, mas ainda assim, toda criança quer ser um adulto. Se elas somente soubessem como é bom ser criança.
Thursday, October 27, 2016
Thursday, October 20, 2016
"Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
'Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!'
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
'Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!'
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
'Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!'
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
'Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci um simples vaga-lume?'"
(Machado de Assis, "Círculo vicioso", p. 130)
O círculo vicioso. Creio eu que este assunto seja o mais prevalente no mundo de hoje: difícil é encontrar pessoas que são satisfeitas com as suas circunstâncias. Mesmo que tenhamos lido sobre vários outros assuntos humanos ao longo do semestre, este parece estar na raiz de todos os demais. Por todo lado, vemos pessoas que querem ter a vida de outra gente, sejam as outras mais ricas, mais famosas, mais felizes nas carreiras, com mais tempo de relaxar, com relacionamentos mais excitantes, ou com quase qualquer coisa que o que está o fitando não parece ter.
Sabemos pelas autoridades gerais da Igreja que a mídia social contribui muito a esse problema. Quando postamos a respeito das coisas mais legais e notáveis de nossas vidas, mas mal mencionamos as coisas cotidianas ou ruins, as pessoas que nos seguem na mídia social pensarão que temos vidas legais e perfeitas, pois não vêem que nós temos lutas e momentos tristes. E, nós também veremos aquilo que as pessoas que nós seguimos na mídia social, que é agradável, e pensaremos que as nossas vidas não são tão boas mesmo. E assim vai o círculo vicioso.
Gostei muito do jeito que Machado de Assis apresentou o assunto humano por meio do artifício. Por utilizar bichos e objetos celestiais, deu um ar mais leve ao poema, talvez para demonstrar as suas crenças sobre como agimos. Pelo título, ele diz que pensa que o que acontece não parará, mas que sempre vai ser assim. E que sempre será vicioso.
'Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!'
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
'Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!'
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
'Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!'
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
'Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci um simples vaga-lume?'"
(Machado de Assis, "Círculo vicioso", p. 130)
O círculo vicioso. Creio eu que este assunto seja o mais prevalente no mundo de hoje: difícil é encontrar pessoas que são satisfeitas com as suas circunstâncias. Mesmo que tenhamos lido sobre vários outros assuntos humanos ao longo do semestre, este parece estar na raiz de todos os demais. Por todo lado, vemos pessoas que querem ter a vida de outra gente, sejam as outras mais ricas, mais famosas, mais felizes nas carreiras, com mais tempo de relaxar, com relacionamentos mais excitantes, ou com quase qualquer coisa que o que está o fitando não parece ter.
Sabemos pelas autoridades gerais da Igreja que a mídia social contribui muito a esse problema. Quando postamos a respeito das coisas mais legais e notáveis de nossas vidas, mas mal mencionamos as coisas cotidianas ou ruins, as pessoas que nos seguem na mídia social pensarão que temos vidas legais e perfeitas, pois não vêem que nós temos lutas e momentos tristes. E, nós também veremos aquilo que as pessoas que nós seguimos na mídia social, que é agradável, e pensaremos que as nossas vidas não são tão boas mesmo. E assim vai o círculo vicioso.
Gostei muito do jeito que Machado de Assis apresentou o assunto humano por meio do artifício. Por utilizar bichos e objetos celestiais, deu um ar mais leve ao poema, talvez para demonstrar as suas crenças sobre como agimos. Pelo título, ele diz que pensa que o que acontece não parará, mas que sempre vai ser assim. E que sempre será vicioso.
Thursday, October 13, 2016
"Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade."
(Clarice Lispector, "Medo da Eternidade", p. 86)
Mesmo que seja uma curta frase, creio que tem mais significado do que qualquer outra nesta crônica por Clarice Lispector. Para pessoas no mundo de hoje, a religião é algo que menos estão tendo a cada dia, e acredito que isto faz uma diferença para o pior. A eternidade é algo que motiva as pessoas a fazer o bem, mais isto apresenta um problema para muitas pessoas que não têm crença. Essas pessoas dizem que se alguém requer um motivo de um prêmio celestial, então essa pessoa não é boa no primeiro lugar. Ou seja, devemos ter bondade para com os outros mesmo que não creiamos em um deus ou um céu. Há verdade nesses pensamentos, pois devemos tratar uns aos outros em uma maneira bondosa seja qual for a nossa crença. Mais, muitas dessas pessoas não tratam aos outros numa forma boa. Então, mesmo que algumas pessoas só agem bondosamente por causa de religião, esses atos bons ainda fazem com que o mundo seja um lugar melhor.
Há um outro lado também. Muitas pessoas que vivem retamente, que realmente fazem o seu melhor pensam que não estão à altura da eternidade, pois pensam que têm que ser perfeitas para merecer o céu. Mas sabemos que nunca mereceremos o céu, e não é para merecermos. As coisas que podemos aprender aqui, contudo, são uma outra coisa inteiramente. Temos uma grande responsabilidade de agir como devemos, e para buscar o perdão quando falhamos. Então, creio eu que Lispector estava dizendo que a eternidade é algo que não conseguimos entender quando estamos crianças, mas quando desenvolvemos a uma maturidade maior vamos entender o nosso propósito de viver.
(Clarice Lispector, "Medo da Eternidade", p. 86)
Mesmo que seja uma curta frase, creio que tem mais significado do que qualquer outra nesta crônica por Clarice Lispector. Para pessoas no mundo de hoje, a religião é algo que menos estão tendo a cada dia, e acredito que isto faz uma diferença para o pior. A eternidade é algo que motiva as pessoas a fazer o bem, mais isto apresenta um problema para muitas pessoas que não têm crença. Essas pessoas dizem que se alguém requer um motivo de um prêmio celestial, então essa pessoa não é boa no primeiro lugar. Ou seja, devemos ter bondade para com os outros mesmo que não creiamos em um deus ou um céu. Há verdade nesses pensamentos, pois devemos tratar uns aos outros em uma maneira bondosa seja qual for a nossa crença. Mais, muitas dessas pessoas não tratam aos outros numa forma boa. Então, mesmo que algumas pessoas só agem bondosamente por causa de religião, esses atos bons ainda fazem com que o mundo seja um lugar melhor.
Há um outro lado também. Muitas pessoas que vivem retamente, que realmente fazem o seu melhor pensam que não estão à altura da eternidade, pois pensam que têm que ser perfeitas para merecer o céu. Mas sabemos que nunca mereceremos o céu, e não é para merecermos. As coisas que podemos aprender aqui, contudo, são uma outra coisa inteiramente. Temos uma grande responsabilidade de agir como devemos, e para buscar o perdão quando falhamos. Então, creio eu que Lispector estava dizendo que a eternidade é algo que não conseguimos entender quando estamos crianças, mas quando desenvolvemos a uma maturidade maior vamos entender o nosso propósito de viver.
Thursday, October 6, 2016
"É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo pensando--'vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele o atingiu'.
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão."
(Rubem Braga, "Homem no mar", 84)
Gostei muito desta crônica. De verdade, gostei de todas as crônicas que lemos. Talvez seja porque eu consigo entender o que o autor quer dizer mais facilmente sem todos os detalhes--fico pensando nos significados demais. Mas nesta leitura, pude ver a imagem que Braga quis criar, e algumas verdades humanas também. Achei bem interessante a discussão que tivemos na aula sobre os temas desta crônica, e eu pensei naquela hora de um tema em resposta à pergunta nos dada pelo professor: porque nós como seres humanos torcemos por outras pessoas nas Olimpíadas que nem são de nosso próprio país?"
Bem, eu gosto demais de competição atlética. E a minha resposta pessoal a essa pergunta é que eu gosto de ver outras pessoas fazer bem no atletismo, porque para mim somos todos seres humanos, não importa a cor de nossa pele nem sob qual bandeira jogamos. É claro que torço para os Estados Unidos nas competições, mas além disso torço para todos. Nesta crônica, o observador não sabia a menor coisa sobre o homem no mar, mas mesmo assim torcia por ele por ser um irmão. Creio que se nós sentíssemos assim sobre todas as pessoas, o mundo seria um lugar bem melhor para todos.
Também curti do comento feito por um outro aluno, quando ele falou que a responsabilidade que o observador menciona é que a excelência merece ser observada. Eu acrescentaria que também merece ser apreciada. Podemos tirar muita motivação dos esforços de outras pessoas, e também podemos motivar muitos a fazer coisas boas para ajudar a sociedade em si.
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão."
(Rubem Braga, "Homem no mar", 84)
Gostei muito desta crônica. De verdade, gostei de todas as crônicas que lemos. Talvez seja porque eu consigo entender o que o autor quer dizer mais facilmente sem todos os detalhes--fico pensando nos significados demais. Mas nesta leitura, pude ver a imagem que Braga quis criar, e algumas verdades humanas também. Achei bem interessante a discussão que tivemos na aula sobre os temas desta crônica, e eu pensei naquela hora de um tema em resposta à pergunta nos dada pelo professor: porque nós como seres humanos torcemos por outras pessoas nas Olimpíadas que nem são de nosso próprio país?"
Bem, eu gosto demais de competição atlética. E a minha resposta pessoal a essa pergunta é que eu gosto de ver outras pessoas fazer bem no atletismo, porque para mim somos todos seres humanos, não importa a cor de nossa pele nem sob qual bandeira jogamos. É claro que torço para os Estados Unidos nas competições, mas além disso torço para todos. Nesta crônica, o observador não sabia a menor coisa sobre o homem no mar, mas mesmo assim torcia por ele por ser um irmão. Creio que se nós sentíssemos assim sobre todas as pessoas, o mundo seria um lugar bem melhor para todos.
Também curti do comento feito por um outro aluno, quando ele falou que a responsabilidade que o observador menciona é que a excelência merece ser observada. Eu acrescentaria que também merece ser apreciada. Podemos tirar muita motivação dos esforços de outras pessoas, e também podemos motivar muitos a fazer coisas boas para ajudar a sociedade em si.
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