Nesta semana, fizemos um drama sobre a cena na qual Bonitão e o Secreta conversam sobre Zé-do-Burro no bar de Galego, e depois saiam para conversar com Zé. O padre também aparece, e discute com Zé e Rosa a respeito das coisas que Zé está fazendo. Eu tive duas partes: a de ser Galego, e também do padre.
Eu me sinto que aprendi bastante sobre os personagens por meio de poder me torná-los de uma certa maneira. Foi muito mas fácil pensar nos eventos como se realmente tivessem acontecido, ao invés de simplesmente ler a respeito deles. Por exemplo, durante a leitura me simpatizei mais com o padre, mas ao ser o padre e conversar com Rosa e Zé, eu me senti muito arrogante, então fiz um esforço a demonstrar esta arrogância à audiência. Sei que isto é simplesmente a minha interpretação pessoal, mas foi possível fazer uma interpretação mais verdadeira por meio de trocar diálogo com os outros personagens.
Também me sinto diferente agora sobre Zé. Ao ler a peça (principalmente no início), imaginei que ele foi um homem bonzinho e simples. Mas depois de ser interpretado no meu grupo, ele é muito mais cínico e duro do que imaginava. Porém, alguns outros grupos o demonstraram como um homem ingénuo e honesto. Pude ver os eventos da peça como se eu estivesse vivendo com os personagens, e isto fez uma diferença grande para mim.
literatura portuguesa
Thursday, December 1, 2016
Thursday, November 17, 2016
" Padre
E essa insistência na heresia mostra o quanto está afastado da igreja.
Zé
Está bem, Padre. Se for assim, Deus vai me castigar. E o senhor não tem culpa.
Padre
Tenho, sim. Sou um sacerdote. Devo zelar pela glória do Senhor e pela felicidade dos homens.
Zé
Mas o senhor está me fazendo tão infeliz, padre!
Padre
Não! Estou defendendo a sua felicidade, impedindo que se perca nas trevas da bruxaria.
Zé
Padre, eu não tenho parte com o Diabo, tenho com Santa Bárbara.
Padre
Estive o dia todo estudando este caso. Consultei livros, textos sagrados. Naquele burro está a explicação de tudo. É Satanás! Só mesmo Satanás podia levar alguém a ridicularizar o sacrifício de Jesus."
(Dias Gomes, O pagador de promessas, p. 143)
Achei muito interessante esta conversa entre Zé-do-Burro e o Padre. Especialmente a parte quando o Padre fala que estava lendo sobre o caso nos livros sagrados. Imagino que seria o manual da Igreja Católica escrito para os padres de como lidar com casos estranhos, mas não tenho certeza. Porém, tenho visto pessoalmente como um livro pode ser interpretado em maneiras extremamente diferentes, principalmente na minha missão com todas as igrejas tão únicas, mesmo que utilizam a mesma Bíblia.
Então, às vezes é difícil confiar plenamente nos livros que têm que ser interpretados. Se um livro como a Bíblia pode causar o surgimento de tantas seitas que não se aparecem, será que dá para confiar em uma só? É por causa disso que o Livro de Mórmon precisava ser escrito, para que toda a verdade do evangelho pudesse se restaurar. E ainda mais do que isso, agora temos um profeta vivo que pode nos aconselhar e providenciar uma interpretação correta da Bíblia.
E essa insistência na heresia mostra o quanto está afastado da igreja.
Zé
Está bem, Padre. Se for assim, Deus vai me castigar. E o senhor não tem culpa.
Padre
Tenho, sim. Sou um sacerdote. Devo zelar pela glória do Senhor e pela felicidade dos homens.
Zé
Mas o senhor está me fazendo tão infeliz, padre!
Padre
Não! Estou defendendo a sua felicidade, impedindo que se perca nas trevas da bruxaria.
Zé
Padre, eu não tenho parte com o Diabo, tenho com Santa Bárbara.
Padre
Estive o dia todo estudando este caso. Consultei livros, textos sagrados. Naquele burro está a explicação de tudo. É Satanás! Só mesmo Satanás podia levar alguém a ridicularizar o sacrifício de Jesus."
(Dias Gomes, O pagador de promessas, p. 143)
Achei muito interessante esta conversa entre Zé-do-Burro e o Padre. Especialmente a parte quando o Padre fala que estava lendo sobre o caso nos livros sagrados. Imagino que seria o manual da Igreja Católica escrito para os padres de como lidar com casos estranhos, mas não tenho certeza. Porém, tenho visto pessoalmente como um livro pode ser interpretado em maneiras extremamente diferentes, principalmente na minha missão com todas as igrejas tão únicas, mesmo que utilizam a mesma Bíblia.
Então, às vezes é difícil confiar plenamente nos livros que têm que ser interpretados. Se um livro como a Bíblia pode causar o surgimento de tantas seitas que não se aparecem, será que dá para confiar em uma só? É por causa disso que o Livro de Mórmon precisava ser escrito, para que toda a verdade do evangelho pudesse se restaurar. E ainda mais do que isso, agora temos um profeta vivo que pode nos aconselhar e providenciar uma interpretação correta da Bíblia.
Thursday, November 10, 2016
" Zé
Tem tanta maldade no mundo. Era correr um risco muito grande, depois de ter quase cumprido a promessa. E você já pensou: se me roubassem a cruz, eu ia ter que fazer outra e vir de novo com ela nas costas da roça até aqui. Sete léguas.
Rosa
Pra quê? Você explicava à santa que tinha sido roubado, ela não ia fazer questão.
Zé
É o que você pensa. Quando você vai pagar uma conta no armarinho e perde o dinheiro no caminho, o turco perdoa a dívida? Uma ova!
Rosa
Mas você já pagou a sua promessa, já trouxe uma cruz de madeira da roça até à igreja de Santa Bárbara. Está aí a igreja de Santa Bárbara, está aí a cruz. Pronto. Agora, vamos embora."
(Dias Gomes, O pagador de promessas, p. 28)
Interessei-me bastante com esta conversa entre Zé-do-burro e a sua esposa Rosa. Acho estranho (e um pouco triste) que a vista normal hoje em dia das pessoas no mundo é a de Rosa. Ela estava tentando fazer com que Zé fizesse o mínimo para que pudesse dizer que cumpria a promessa que fizera e pronto. E creio que a maioria das pessoas iriam pensar que Zé era o estranho. É claro que muitas pessoas não iriam pensar que levar uma cruz uma distância tão longa é normal, mas depois de tê-lo feito, é só deixar a cruz aí na praça. Mas vemos Zé como o esquisito, porque queria ser seguro que a cruz entraria a porta da igreja como tinha prometido à Santa Bárbara.
Como isto se compara aos dias de hoje? As pessoas fazem o mínimo possível. Nem sempre é o caso, claro, pois sempre há exceções. Mas via sempre no ensino médio (e até um pouco na universidade) que os estudantes querem fazer o mínimo trabalho possível e ainda receber a nota desejada. Ainda não estive numa empresa, mas ouço que é uma luta fazer com que os empregados trabalhem duramente. Até às vezes na igreja (é mais raro, felizmente), os membros fazem o menos possível para ainda estar dignos de entrar no templo ou por algum outro motivo. É uma tendência humana, isso? Creio que é. Mas Zé-do-burro é aquele que não se satisfaz assim. Acredito que o mundo seria um lugar bem melhor se seguíssemos o exemplo deste homem ficcional.
Tem tanta maldade no mundo. Era correr um risco muito grande, depois de ter quase cumprido a promessa. E você já pensou: se me roubassem a cruz, eu ia ter que fazer outra e vir de novo com ela nas costas da roça até aqui. Sete léguas.
Rosa
Pra quê? Você explicava à santa que tinha sido roubado, ela não ia fazer questão.
Zé
É o que você pensa. Quando você vai pagar uma conta no armarinho e perde o dinheiro no caminho, o turco perdoa a dívida? Uma ova!
Rosa
Mas você já pagou a sua promessa, já trouxe uma cruz de madeira da roça até à igreja de Santa Bárbara. Está aí a igreja de Santa Bárbara, está aí a cruz. Pronto. Agora, vamos embora."
(Dias Gomes, O pagador de promessas, p. 28)
Interessei-me bastante com esta conversa entre Zé-do-burro e a sua esposa Rosa. Acho estranho (e um pouco triste) que a vista normal hoje em dia das pessoas no mundo é a de Rosa. Ela estava tentando fazer com que Zé fizesse o mínimo para que pudesse dizer que cumpria a promessa que fizera e pronto. E creio que a maioria das pessoas iriam pensar que Zé era o estranho. É claro que muitas pessoas não iriam pensar que levar uma cruz uma distância tão longa é normal, mas depois de tê-lo feito, é só deixar a cruz aí na praça. Mas vemos Zé como o esquisito, porque queria ser seguro que a cruz entraria a porta da igreja como tinha prometido à Santa Bárbara.
Como isto se compara aos dias de hoje? As pessoas fazem o mínimo possível. Nem sempre é o caso, claro, pois sempre há exceções. Mas via sempre no ensino médio (e até um pouco na universidade) que os estudantes querem fazer o mínimo trabalho possível e ainda receber a nota desejada. Ainda não estive numa empresa, mas ouço que é uma luta fazer com que os empregados trabalhem duramente. Até às vezes na igreja (é mais raro, felizmente), os membros fazem o menos possível para ainda estar dignos de entrar no templo ou por algum outro motivo. É uma tendência humana, isso? Creio que é. Mas Zé-do-burro é aquele que não se satisfaz assim. Acredito que o mundo seria um lugar bem melhor se seguíssemos o exemplo deste homem ficcional.
Thursday, November 3, 2016
"Podem desterrar-nos, / levar-nos / para longes terras, / vender-nos como mercadoria, / acorrentar-nos / à terra, do sol à lua e da lua ao sol, / mas seremos sempre livres / se nos deixarem a música!"
(Noémia de Sousa, "Súplica", p. 174)
Quando eu li pela primeira vez este poema, fiquei pensativo sobre o que a música representa. Tive dificuldade inicialmente em poder pensar em alguma coisa, mas finalmente tive algumas ideias. A que eu acho fazer mais sentido no contexto é que a música representa a liberdade humana, que vai bem na cara de escravidão. Sousa era africana, então com certeza tinha experiências com a escravidão, mesmo que não fosse uma escrava. A música é aquela coisa que dá a vontade de viver, de explorar, de amar, de rir, de chorar, de fazer o mais possível com a vida. Isto é algo que talvez nunca tenha tido um efeito enorme em mim pessoalmente, pois a liberdade e a capacidade de viver é algo que sempre tenho havido. Nunca tive alguma experiência real com alguém que não tivesse a sua liberdade.
Mas suponho que têm várias maneiras nas quais as pessoas não são livres. Vícios e dependências nas drogas e no álcool controlam as vidas de muitas. A depressão que surge de falta de balança nas químicas no cérebro tiram a vontade de mais ainda. Doença física e emocional causam muita dor. O mundo tem muitos problemas, mas desses vem uma oportunidade para ajudarmos onde podemos. Mais de uma oportunidade, uma responsabilidade. É por isso que quero ser um médico por minha carreira. Creio que posso fazer muito de bom em aliviar as pessoas fisicamente, pois assim fará uma diferença imensa em todos os aspectos da vida. Espero que eu consiga fazer o meu melhor sempre para que outros seres humanos tenham tantas oportunidades quantas possíveis, como eu tenho tido.
(Noémia de Sousa, "Súplica", p. 174)
Quando eu li pela primeira vez este poema, fiquei pensativo sobre o que a música representa. Tive dificuldade inicialmente em poder pensar em alguma coisa, mas finalmente tive algumas ideias. A que eu acho fazer mais sentido no contexto é que a música representa a liberdade humana, que vai bem na cara de escravidão. Sousa era africana, então com certeza tinha experiências com a escravidão, mesmo que não fosse uma escrava. A música é aquela coisa que dá a vontade de viver, de explorar, de amar, de rir, de chorar, de fazer o mais possível com a vida. Isto é algo que talvez nunca tenha tido um efeito enorme em mim pessoalmente, pois a liberdade e a capacidade de viver é algo que sempre tenho havido. Nunca tive alguma experiência real com alguém que não tivesse a sua liberdade.
Mas suponho que têm várias maneiras nas quais as pessoas não são livres. Vícios e dependências nas drogas e no álcool controlam as vidas de muitas. A depressão que surge de falta de balança nas químicas no cérebro tiram a vontade de mais ainda. Doença física e emocional causam muita dor. O mundo tem muitos problemas, mas desses vem uma oportunidade para ajudarmos onde podemos. Mais de uma oportunidade, uma responsabilidade. É por isso que quero ser um médico por minha carreira. Creio que posso fazer muito de bom em aliviar as pessoas fisicamente, pois assim fará uma diferença imensa em todos os aspectos da vida. Espero que eu consiga fazer o meu melhor sempre para que outros seres humanos tenham tantas oportunidades quantas possíveis, como eu tenho tido.
Thursday, October 27, 2016
"A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada"
(Manuel Bandeira, "Evocação do Recife", p. 187)
Nossa como gostei deste poema. Servi num lugar no Brasil que tem uma fala única demais: Belo Horizonte em Minas Gerais. No meu pensar, a língua é a coisa mais proeminente que liga uma cultura. Se alguém realmente quer ter uma experiência com uma outra cultura, a primeira coisa a fazer é aprender o idioma. Vim a amar português brasileiro, e mais especificamente português mineiro. Não quer dizer que eles falavam exatamente corretos, pois até um americano sem experiência sabia o que era para falar em termos de gramática "certa", mais dava muito mais cor e personalidade à área por causa daquilo.
Este poema também trouxe uma certa trunkesa para mim de minha própria infância, que creio ser um dos propósitos mais significativos do poema. Quando pensamos em nossas infâncias, temos a tendência de ter memórias boas, de um período mais simples em nossas vidas. Brincávamos, não tinhamos preocupações nem estresses, éramos mais próximos aos nossos familiares, sempre havia muito tempo nos dias. A vida pode ser muito complicada hoje em dia, pois há prazos de entrega, escola, carreiras, responsabilidade por todo lado, e tempo insuficiente para alcançar. Sim, a vida era bem mais simples, mas ainda assim, toda criança quer ser um adulto. Se elas somente soubessem como é bom ser criança.
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada"
(Manuel Bandeira, "Evocação do Recife", p. 187)
Nossa como gostei deste poema. Servi num lugar no Brasil que tem uma fala única demais: Belo Horizonte em Minas Gerais. No meu pensar, a língua é a coisa mais proeminente que liga uma cultura. Se alguém realmente quer ter uma experiência com uma outra cultura, a primeira coisa a fazer é aprender o idioma. Vim a amar português brasileiro, e mais especificamente português mineiro. Não quer dizer que eles falavam exatamente corretos, pois até um americano sem experiência sabia o que era para falar em termos de gramática "certa", mais dava muito mais cor e personalidade à área por causa daquilo.
Este poema também trouxe uma certa trunkesa para mim de minha própria infância, que creio ser um dos propósitos mais significativos do poema. Quando pensamos em nossas infâncias, temos a tendência de ter memórias boas, de um período mais simples em nossas vidas. Brincávamos, não tinhamos preocupações nem estresses, éramos mais próximos aos nossos familiares, sempre havia muito tempo nos dias. A vida pode ser muito complicada hoje em dia, pois há prazos de entrega, escola, carreiras, responsabilidade por todo lado, e tempo insuficiente para alcançar. Sim, a vida era bem mais simples, mas ainda assim, toda criança quer ser um adulto. Se elas somente soubessem como é bom ser criança.
Thursday, October 20, 2016
"Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
'Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!'
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
'Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!'
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
'Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!'
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
'Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci um simples vaga-lume?'"
(Machado de Assis, "Círculo vicioso", p. 130)
O círculo vicioso. Creio eu que este assunto seja o mais prevalente no mundo de hoje: difícil é encontrar pessoas que são satisfeitas com as suas circunstâncias. Mesmo que tenhamos lido sobre vários outros assuntos humanos ao longo do semestre, este parece estar na raiz de todos os demais. Por todo lado, vemos pessoas que querem ter a vida de outra gente, sejam as outras mais ricas, mais famosas, mais felizes nas carreiras, com mais tempo de relaxar, com relacionamentos mais excitantes, ou com quase qualquer coisa que o que está o fitando não parece ter.
Sabemos pelas autoridades gerais da Igreja que a mídia social contribui muito a esse problema. Quando postamos a respeito das coisas mais legais e notáveis de nossas vidas, mas mal mencionamos as coisas cotidianas ou ruins, as pessoas que nos seguem na mídia social pensarão que temos vidas legais e perfeitas, pois não vêem que nós temos lutas e momentos tristes. E, nós também veremos aquilo que as pessoas que nós seguimos na mídia social, que é agradável, e pensaremos que as nossas vidas não são tão boas mesmo. E assim vai o círculo vicioso.
Gostei muito do jeito que Machado de Assis apresentou o assunto humano por meio do artifício. Por utilizar bichos e objetos celestiais, deu um ar mais leve ao poema, talvez para demonstrar as suas crenças sobre como agimos. Pelo título, ele diz que pensa que o que acontece não parará, mas que sempre vai ser assim. E que sempre será vicioso.
'Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!'
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
'Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!'
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
'Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!'
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
'Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci um simples vaga-lume?'"
(Machado de Assis, "Círculo vicioso", p. 130)
O círculo vicioso. Creio eu que este assunto seja o mais prevalente no mundo de hoje: difícil é encontrar pessoas que são satisfeitas com as suas circunstâncias. Mesmo que tenhamos lido sobre vários outros assuntos humanos ao longo do semestre, este parece estar na raiz de todos os demais. Por todo lado, vemos pessoas que querem ter a vida de outra gente, sejam as outras mais ricas, mais famosas, mais felizes nas carreiras, com mais tempo de relaxar, com relacionamentos mais excitantes, ou com quase qualquer coisa que o que está o fitando não parece ter.
Sabemos pelas autoridades gerais da Igreja que a mídia social contribui muito a esse problema. Quando postamos a respeito das coisas mais legais e notáveis de nossas vidas, mas mal mencionamos as coisas cotidianas ou ruins, as pessoas que nos seguem na mídia social pensarão que temos vidas legais e perfeitas, pois não vêem que nós temos lutas e momentos tristes. E, nós também veremos aquilo que as pessoas que nós seguimos na mídia social, que é agradável, e pensaremos que as nossas vidas não são tão boas mesmo. E assim vai o círculo vicioso.
Gostei muito do jeito que Machado de Assis apresentou o assunto humano por meio do artifício. Por utilizar bichos e objetos celestiais, deu um ar mais leve ao poema, talvez para demonstrar as suas crenças sobre como agimos. Pelo título, ele diz que pensa que o que acontece não parará, mas que sempre vai ser assim. E que sempre será vicioso.
Thursday, October 13, 2016
"Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade."
(Clarice Lispector, "Medo da Eternidade", p. 86)
Mesmo que seja uma curta frase, creio que tem mais significado do que qualquer outra nesta crônica por Clarice Lispector. Para pessoas no mundo de hoje, a religião é algo que menos estão tendo a cada dia, e acredito que isto faz uma diferença para o pior. A eternidade é algo que motiva as pessoas a fazer o bem, mais isto apresenta um problema para muitas pessoas que não têm crença. Essas pessoas dizem que se alguém requer um motivo de um prêmio celestial, então essa pessoa não é boa no primeiro lugar. Ou seja, devemos ter bondade para com os outros mesmo que não creiamos em um deus ou um céu. Há verdade nesses pensamentos, pois devemos tratar uns aos outros em uma maneira bondosa seja qual for a nossa crença. Mais, muitas dessas pessoas não tratam aos outros numa forma boa. Então, mesmo que algumas pessoas só agem bondosamente por causa de religião, esses atos bons ainda fazem com que o mundo seja um lugar melhor.
Há um outro lado também. Muitas pessoas que vivem retamente, que realmente fazem o seu melhor pensam que não estão à altura da eternidade, pois pensam que têm que ser perfeitas para merecer o céu. Mas sabemos que nunca mereceremos o céu, e não é para merecermos. As coisas que podemos aprender aqui, contudo, são uma outra coisa inteiramente. Temos uma grande responsabilidade de agir como devemos, e para buscar o perdão quando falhamos. Então, creio eu que Lispector estava dizendo que a eternidade é algo que não conseguimos entender quando estamos crianças, mas quando desenvolvemos a uma maturidade maior vamos entender o nosso propósito de viver.
(Clarice Lispector, "Medo da Eternidade", p. 86)
Mesmo que seja uma curta frase, creio que tem mais significado do que qualquer outra nesta crônica por Clarice Lispector. Para pessoas no mundo de hoje, a religião é algo que menos estão tendo a cada dia, e acredito que isto faz uma diferença para o pior. A eternidade é algo que motiva as pessoas a fazer o bem, mais isto apresenta um problema para muitas pessoas que não têm crença. Essas pessoas dizem que se alguém requer um motivo de um prêmio celestial, então essa pessoa não é boa no primeiro lugar. Ou seja, devemos ter bondade para com os outros mesmo que não creiamos em um deus ou um céu. Há verdade nesses pensamentos, pois devemos tratar uns aos outros em uma maneira bondosa seja qual for a nossa crença. Mais, muitas dessas pessoas não tratam aos outros numa forma boa. Então, mesmo que algumas pessoas só agem bondosamente por causa de religião, esses atos bons ainda fazem com que o mundo seja um lugar melhor.
Há um outro lado também. Muitas pessoas que vivem retamente, que realmente fazem o seu melhor pensam que não estão à altura da eternidade, pois pensam que têm que ser perfeitas para merecer o céu. Mas sabemos que nunca mereceremos o céu, e não é para merecermos. As coisas que podemos aprender aqui, contudo, são uma outra coisa inteiramente. Temos uma grande responsabilidade de agir como devemos, e para buscar o perdão quando falhamos. Então, creio eu que Lispector estava dizendo que a eternidade é algo que não conseguimos entender quando estamos crianças, mas quando desenvolvemos a uma maturidade maior vamos entender o nosso propósito de viver.
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