" Padre
E essa insistência na heresia mostra o quanto está afastado da igreja.
Zé
Está bem, Padre. Se for assim, Deus vai me castigar. E o senhor não tem culpa.
Padre
Tenho, sim. Sou um sacerdote. Devo zelar pela glória do Senhor e pela felicidade dos homens.
Zé
Mas o senhor está me fazendo tão infeliz, padre!
Padre
Não! Estou defendendo a sua felicidade, impedindo que se perca nas trevas da bruxaria.
Zé
Padre, eu não tenho parte com o Diabo, tenho com Santa Bárbara.
Padre
Estive o dia todo estudando este caso. Consultei livros, textos sagrados. Naquele burro está a explicação de tudo. É Satanás! Só mesmo Satanás podia levar alguém a ridicularizar o sacrifício de Jesus."
(Dias Gomes, O pagador de promessas, p. 143)
Achei muito interessante esta conversa entre Zé-do-Burro e o Padre. Especialmente a parte quando o Padre fala que estava lendo sobre o caso nos livros sagrados. Imagino que seria o manual da Igreja Católica escrito para os padres de como lidar com casos estranhos, mas não tenho certeza. Porém, tenho visto pessoalmente como um livro pode ser interpretado em maneiras extremamente diferentes, principalmente na minha missão com todas as igrejas tão únicas, mesmo que utilizam a mesma Bíblia.
Então, às vezes é difícil confiar plenamente nos livros que têm que ser interpretados. Se um livro como a Bíblia pode causar o surgimento de tantas seitas que não se aparecem, será que dá para confiar em uma só? É por causa disso que o Livro de Mórmon precisava ser escrito, para que toda a verdade do evangelho pudesse se restaurar. E ainda mais do que isso, agora temos um profeta vivo que pode nos aconselhar e providenciar uma interpretação correta da Bíblia.
Thursday, November 17, 2016
Thursday, November 10, 2016
" Zé
Tem tanta maldade no mundo. Era correr um risco muito grande, depois de ter quase cumprido a promessa. E você já pensou: se me roubassem a cruz, eu ia ter que fazer outra e vir de novo com ela nas costas da roça até aqui. Sete léguas.
Rosa
Pra quê? Você explicava à santa que tinha sido roubado, ela não ia fazer questão.
Zé
É o que você pensa. Quando você vai pagar uma conta no armarinho e perde o dinheiro no caminho, o turco perdoa a dívida? Uma ova!
Rosa
Mas você já pagou a sua promessa, já trouxe uma cruz de madeira da roça até à igreja de Santa Bárbara. Está aí a igreja de Santa Bárbara, está aí a cruz. Pronto. Agora, vamos embora."
(Dias Gomes, O pagador de promessas, p. 28)
Interessei-me bastante com esta conversa entre Zé-do-burro e a sua esposa Rosa. Acho estranho (e um pouco triste) que a vista normal hoje em dia das pessoas no mundo é a de Rosa. Ela estava tentando fazer com que Zé fizesse o mínimo para que pudesse dizer que cumpria a promessa que fizera e pronto. E creio que a maioria das pessoas iriam pensar que Zé era o estranho. É claro que muitas pessoas não iriam pensar que levar uma cruz uma distância tão longa é normal, mas depois de tê-lo feito, é só deixar a cruz aí na praça. Mas vemos Zé como o esquisito, porque queria ser seguro que a cruz entraria a porta da igreja como tinha prometido à Santa Bárbara.
Como isto se compara aos dias de hoje? As pessoas fazem o mínimo possível. Nem sempre é o caso, claro, pois sempre há exceções. Mas via sempre no ensino médio (e até um pouco na universidade) que os estudantes querem fazer o mínimo trabalho possível e ainda receber a nota desejada. Ainda não estive numa empresa, mas ouço que é uma luta fazer com que os empregados trabalhem duramente. Até às vezes na igreja (é mais raro, felizmente), os membros fazem o menos possível para ainda estar dignos de entrar no templo ou por algum outro motivo. É uma tendência humana, isso? Creio que é. Mas Zé-do-burro é aquele que não se satisfaz assim. Acredito que o mundo seria um lugar bem melhor se seguíssemos o exemplo deste homem ficcional.
Tem tanta maldade no mundo. Era correr um risco muito grande, depois de ter quase cumprido a promessa. E você já pensou: se me roubassem a cruz, eu ia ter que fazer outra e vir de novo com ela nas costas da roça até aqui. Sete léguas.
Rosa
Pra quê? Você explicava à santa que tinha sido roubado, ela não ia fazer questão.
Zé
É o que você pensa. Quando você vai pagar uma conta no armarinho e perde o dinheiro no caminho, o turco perdoa a dívida? Uma ova!
Rosa
Mas você já pagou a sua promessa, já trouxe uma cruz de madeira da roça até à igreja de Santa Bárbara. Está aí a igreja de Santa Bárbara, está aí a cruz. Pronto. Agora, vamos embora."
(Dias Gomes, O pagador de promessas, p. 28)
Interessei-me bastante com esta conversa entre Zé-do-burro e a sua esposa Rosa. Acho estranho (e um pouco triste) que a vista normal hoje em dia das pessoas no mundo é a de Rosa. Ela estava tentando fazer com que Zé fizesse o mínimo para que pudesse dizer que cumpria a promessa que fizera e pronto. E creio que a maioria das pessoas iriam pensar que Zé era o estranho. É claro que muitas pessoas não iriam pensar que levar uma cruz uma distância tão longa é normal, mas depois de tê-lo feito, é só deixar a cruz aí na praça. Mas vemos Zé como o esquisito, porque queria ser seguro que a cruz entraria a porta da igreja como tinha prometido à Santa Bárbara.
Como isto se compara aos dias de hoje? As pessoas fazem o mínimo possível. Nem sempre é o caso, claro, pois sempre há exceções. Mas via sempre no ensino médio (e até um pouco na universidade) que os estudantes querem fazer o mínimo trabalho possível e ainda receber a nota desejada. Ainda não estive numa empresa, mas ouço que é uma luta fazer com que os empregados trabalhem duramente. Até às vezes na igreja (é mais raro, felizmente), os membros fazem o menos possível para ainda estar dignos de entrar no templo ou por algum outro motivo. É uma tendência humana, isso? Creio que é. Mas Zé-do-burro é aquele que não se satisfaz assim. Acredito que o mundo seria um lugar bem melhor se seguíssemos o exemplo deste homem ficcional.
Thursday, November 3, 2016
"Podem desterrar-nos, / levar-nos / para longes terras, / vender-nos como mercadoria, / acorrentar-nos / à terra, do sol à lua e da lua ao sol, / mas seremos sempre livres / se nos deixarem a música!"
(Noémia de Sousa, "Súplica", p. 174)
Quando eu li pela primeira vez este poema, fiquei pensativo sobre o que a música representa. Tive dificuldade inicialmente em poder pensar em alguma coisa, mas finalmente tive algumas ideias. A que eu acho fazer mais sentido no contexto é que a música representa a liberdade humana, que vai bem na cara de escravidão. Sousa era africana, então com certeza tinha experiências com a escravidão, mesmo que não fosse uma escrava. A música é aquela coisa que dá a vontade de viver, de explorar, de amar, de rir, de chorar, de fazer o mais possível com a vida. Isto é algo que talvez nunca tenha tido um efeito enorme em mim pessoalmente, pois a liberdade e a capacidade de viver é algo que sempre tenho havido. Nunca tive alguma experiência real com alguém que não tivesse a sua liberdade.
Mas suponho que têm várias maneiras nas quais as pessoas não são livres. Vícios e dependências nas drogas e no álcool controlam as vidas de muitas. A depressão que surge de falta de balança nas químicas no cérebro tiram a vontade de mais ainda. Doença física e emocional causam muita dor. O mundo tem muitos problemas, mas desses vem uma oportunidade para ajudarmos onde podemos. Mais de uma oportunidade, uma responsabilidade. É por isso que quero ser um médico por minha carreira. Creio que posso fazer muito de bom em aliviar as pessoas fisicamente, pois assim fará uma diferença imensa em todos os aspectos da vida. Espero que eu consiga fazer o meu melhor sempre para que outros seres humanos tenham tantas oportunidades quantas possíveis, como eu tenho tido.
(Noémia de Sousa, "Súplica", p. 174)
Quando eu li pela primeira vez este poema, fiquei pensativo sobre o que a música representa. Tive dificuldade inicialmente em poder pensar em alguma coisa, mas finalmente tive algumas ideias. A que eu acho fazer mais sentido no contexto é que a música representa a liberdade humana, que vai bem na cara de escravidão. Sousa era africana, então com certeza tinha experiências com a escravidão, mesmo que não fosse uma escrava. A música é aquela coisa que dá a vontade de viver, de explorar, de amar, de rir, de chorar, de fazer o mais possível com a vida. Isto é algo que talvez nunca tenha tido um efeito enorme em mim pessoalmente, pois a liberdade e a capacidade de viver é algo que sempre tenho havido. Nunca tive alguma experiência real com alguém que não tivesse a sua liberdade.
Mas suponho que têm várias maneiras nas quais as pessoas não são livres. Vícios e dependências nas drogas e no álcool controlam as vidas de muitas. A depressão que surge de falta de balança nas químicas no cérebro tiram a vontade de mais ainda. Doença física e emocional causam muita dor. O mundo tem muitos problemas, mas desses vem uma oportunidade para ajudarmos onde podemos. Mais de uma oportunidade, uma responsabilidade. É por isso que quero ser um médico por minha carreira. Creio que posso fazer muito de bom em aliviar as pessoas fisicamente, pois assim fará uma diferença imensa em todos os aspectos da vida. Espero que eu consiga fazer o meu melhor sempre para que outros seres humanos tenham tantas oportunidades quantas possíveis, como eu tenho tido.